Sustentável e lucrativo

A segunda metade da década dos anos 2010 viu nascer e tornar-se hegemônico o conceito de “sustentabilidade”, nas mais diversas áreas da atividade humana. Da agricultura à publicidade; do crescimento das cidades ao turismo, é inegável a abrangência e importância desse princípio para a sobrevivência do negócio e do planeta. Mais ou menos pela mesma época, os nativos da nação Hualapai, soberanos proprietários de um grande território na face oeste do Grand Canyon, no estado americano do Arizona, se depararam com uma realidade, que poderia se transformar em grande oportunidade:

A realidade – Turistas, vindos de todas as partes do mundo, que chegavam a Las Vegas, no estado vizinho de Nevada, eram convidados para o tradicional passeio de helicóptero, sobrevoando a mais famosa formação rochosa dos Estados Unidos, e uma das mais conhecidas do mundo. Os custos, de até US$ 500 por pessoa, ficavam praticamente todos na capital dos cassinos, sem que isso necessariamente representasse divisas significativas para o povo local.

A oportunidade – Unidos a uma empresa européia, os nativos norte-americanos revolucionaram a forma de olhar para o Rio Colorado, enquanto suas águas esverdeadas serpenteiam 1.500 metros abaixo dos nossos pés. Nasceu o Skywalk, uma atração na forma de passarela de vidro temperado ultra-resistente, da qual tem-se a impressão de flutuar sobre o Grand Canyon. Mas, para viver essa sensação única, é preciso descer no helicóptero, avião ou automóvel, pagar cerca de US$ 80 por pessoa e deixar todos os equipamentos eletrônicos em um guarda-volumes para que até o registro do momento tenha de ser comprado da numerosa equipe de fotógrafos nativos. Toda a recepção, venda de bilhetes, administração do local (que conta até com um shopping), bem como as demais funções (atendentes, vendedores, motoristas dos ônibus que fazem o transporte interno) é feita pelos nativos, sem prejuízo do meio-ambiente, a grande “matéria-prima” da indústria local.

P.S. Os cestos, arcos, flechas e demais peças de artesanato são, digamos assim, terceirizados de outras tribos. Nada mais sustentável!